Perguntas frequentes
Como os dados deste site são construídos e, principalmente, como lê-los sem tirar a conclusão errada. Se você só quer o resumo: os números são oficiais, mas cobrem apenas quem declara Imposto de Renda — e “renda” aqui é bem mais do que salário.
Os dados
› De onde vêm os números deste site?
Todos vêm dos Grandes Números do IRPF, a estatística que a Receita Federal publica anualmente a partir das declarações de Imposto de Renda — exercício 2026, ano-base 2025. São dados oficiais e agregados: a Receita divulga médias por ocupação, estado e faixa de renda. Não coletamos dados por conta própria e não completamos lacunas: o que está aqui é a estatística pública reorganizada em páginas navegáveis, com comparações e rankings. As duas exceções são declaradas onde aparecem — a calculadora de percentil interpola dentro das faixas divulgadas para estimar sua posição, e a mediana é publicada como faixa, nunca como valor estimado. Não há pesquisa salarial, anúncio de vaga ou dado de terceiros misturado.
› Meus dados pessoais estão aqui?
Não, e não teria como estar. O site só trabalha com números agregados — médias de grupos inteiros de contribuintes. Nenhuma declaração individual é acessível, nem para nós nem para ninguém: isso é protegido por sigilo fiscal. A própria Receita reforça essa proteção não divulgando combinações de profissão × estado com menos de 10 declarantes, justamente para que ninguém possa ser identificado por eliminação. Se você é um dos 528.836 médicos declarantes do país, o que aparece na página é a média desses 528.836 — nunca a sua.
› De quando são os dados e com que frequência são atualizados?
Os números atuais referem-se à renda de 2025, declarada em 2026. A Receita divulga essa base uma vez por ano; quando sai a nova, atualizamos o site inteiro de uma vez — todas as 136 profissões, estados e rankings. Última atualização incorporada: 17/07/2026. É a natureza da fonte: dado de Imposto de Renda é sempre retrospectivo, e não reflete salário em tempo real nem reajuste recente.
Como ler os números
› Por que uma profissão aparece acima de outra que, sabidamente, ganha mais?
Essa é a estranheza mais comum do site — e quase sempre ela revela mais sobre como o dado é construído do que sobre as profissões em si. Quatro motivos, em ordem de importância:
- O rótulo não é a profissão. As categorias da Receita são guarda-chuvas, e o nome delas costuma destacar o cargo mais prestigiado do grupo — mas a média é dominada pela maioria. “Senador, deputado e vereador” reúne 40.240 declarantes: os 81 senadores são uma gota nesse total, e a esmagadora maioria são vereadores, muitos de cidades pequenas. A média de R$ 166 mil/ano do grupo é, na prática, a média dos vereadores — não o contracheque de um senador.
- Só quem declara Imposto de Renda entra na conta. Numa profissão em que apenas os mais bem pagos alcançam o limite de obrigatoriedade, a média reflete só essa elite e sobe artificialmente. Em outra, em que praticamente todo mundo declara, a média incorpora a base inteira e desce. As duas aparecem lado a lado no ranking como se fossem comparáveis.
- A média não é o profissional típico. Onde há muita desigualdade interna, um punhado de ganhos altíssimos puxa a média para cima e a descola de quem está no meio da distribuição. Por isso cada página mostra também a distribuição por faixa — é ali que se enxerga o típico.
- “Renda” aqui é tudo, não só salário. O número principal é a renda total declarada: salário somado a lucros, dividendos, aluguéis e aplicações. Quem recebe por PJ ou tem participação em empresa pode ter salário formal modesto e renda total alta.
Ou seja: antes de concluir que “X ganha mais que Y”, vale abrir as duas páginas e olhar três coisas — quantos declarantes a categoria tem, o que ela agrega sob o mesmo nome, e como a renda se distribui por faixa.
› Por que as médias parecem tão altas?
Porque a base é formada apenas por quem declara Imposto de Renda: 35.420.156 pessoas com ocupação informada — uma fração da população ocupada do país. Quem ganha abaixo do limite de obrigatoriedade em geral não declara e simplesmente não está nesses números. Na prática, o site retrata só quem declara Imposto de Renda — uma fração da população ocupada, concentrada nas rendas mais altas —, não o país inteiro. Some a isso o fato de a renda declarada incluir lucros, dividendos e aluguéis — não só o contracheque — e o resultado fica naturalmente acima do que a intuição espera. Para referência, entre esses declarantes com ocupação informada a renda média é de R$ 166 mil/ano.
› O valor em destaque é o salário da profissão?
Não — e a diferença pode ser enorme. O número principal é a renda total declarada: salário, 13º, lucros, dividendos, aluguéis e rendimentos de aplicações, tudo somado. Por isso exibimos também a renda tributável, a parcela mais próxima do contracheque. O contraste entre as duas revela como cada categoria realmente ganha:
- Dirigente e diretor de empresas: renda total de R$ 440 mil/ano, mas apenas R$ 60 mil de renda tributável — cerca de 86% do que declaram não vem de salário, e sim de lucros e dividendos.
- Professor do ensino fundamental: R$ 118 mil/ano de renda total e R$ 97 mil de tributável — cerca de 82% é salário puro.
São duas realidades econômicas opostas que a palavra “renda”, sozinha, esconde. Sempre que a diferença entre renda total e tributável for grande, você está diante de uma profissão que ganha mais por capital do que por trabalho.
› Vocês mostram a mediana ou a média?
As duas, e com rótulos diferentes. A Receita não divulga o valor da mediana de cada categoria — os Grandes Números publicam médias por ocupação e quantos declarantes há em cada faixa de renda. A partir dessa contagem dá para afirmar com segurança em qual faixa o valor do meio da fila cai, e é isso que a página mostra em destaque: uma faixa, não um número exato. Não estimamos a mediana por interpolação dentro da faixa — seria inventar uma precisão que a fonte não tem — e quando a faixa é larga ou não tem teto, a página avisa. A média de renda total continua publicada ao lado, porque é ela que permite comparar profissões.
Cobertura
› Por que algumas profissões não aparecem?
Porque a lista não é nossa: são as 136 categorias de ocupação que a própria Receita usa, e ela não tem uma entrada para cada profissão do mercado. Quando você não encontra a sua, normalmente é um destes três casos:
- Ela está agregada num guarda-chuva. “Engenheiro e arquiteto” junta duas carreiras distintas; “Trabalhador dos serviços de hotelaria e alimentação” cobre de garçom a cozinheiro; “Analista de sistemas e desenvolvedor” concentra 711.096 profissionais de tecnologia sob um único rótulo. Sua profissão provavelmente está dentro de alguma categoria — só que com outro nome.
- Ela caiu em “Outras ocupações”. É a maior categoria do país: 8.764.657 declarantes, ou 24,7% de quem declara com ocupação informada. Profissões novas ou difíceis de enquadrar no código oficial — criador de conteúdo é o exemplo óbvio — acabam ali, misturadas a tudo o mais. Por isso não é possível extrair nada específico desse grupo.
- Quase ninguém dela declara Imposto de Renda. Profissões cuja renda fica majoritariamente abaixo do limite de obrigatoriedade aparecem pouco, com poucos declarantes, ou não aparecem.
Se a Receita criar ou desmembrar categorias numa próxima divulgação, o site passa a exibi-las automaticamente na atualização seguinte.
› Por que minha profissão não tem dados no meu estado?
Por sigilo fiscal. A Receita zera qualquer combinação de profissão × estado com menos de 10 declarantes, para que ninguém possa ser identificado por eliminação — imagine uma profissão com apenas três declarantes num estado pequeno. Quando isso acontece, a combinação não é divulgada e nós não a exibimos, em vez de preencher com estimativa. É mais frequente em profissões pequenas cruzadas com estados menos populosos. Nesses casos, o número nacional da profissão continua disponível na página principal dela.
Sobre o projeto
› Posso usar e citar esses dados?
Sim, à vontade. Os dados originais são públicos e o nosso tratamento também: use os números em reportagens, trabalhos acadêmicos, apresentações ou publicações, com crédito a “Salários do Brasil, com dados da Receita Federal”. Um link para a página usada ajuda quem quiser conferir. Se precisar de um recorte que o site não mostra, escreva para contato@salariosdobrasil.com.
› O site tem algum vínculo com o governo?
Nenhum. O Salários do Brasil é um projeto editorial independente. Usamos uma base pública da Receita Federal, mas não somos porta-voz dela e não temos qualquer relação institucional — nada aqui é comunicação oficial. O acesso é gratuito e o site se mantém com publicidade. Encontrou um erro ou tem uma sugestão? Escreva para contato@salariosdobrasil.com.